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Construções sustentáveis: o futuro inevitável que já começou

Construções sustentáveis: o futuro inevitável que já começou

Esta semana fui surpreendida positivamente pelos meus alunos do curso de Engenharia Civil. Não concordando muito com o estilo atual de ensino (onde os alunos são receptores passivos de informação), procuro envolve-los de forma diferente quando possível, para além das aulas expositivas, através de seminários, por exemplo.

A disciplina de Saneamento Ambiental II trata de dois tópicos em específico, águas residuárias e resíduos sólidos. No primeiro seminário os alunos ficaram encarregados de apresentar o processo produtivo de algum produto (qualquer um), abordando as matérias-primas e insumos utilizados, as etapas do processo e também os resíduos e efluentes gerados no processo. Como exemplo (e para motivá-los) passei no quadro o processo produtivo da cerveja. Para minha surpresa eles foram muito mais criativos, me trouxeram novas perspectivas e possibilitaram conclusões e ótimas críticas dos colegas, a cerca dos temas.

Um aluno começou falando sobre o processo de fabricação de Tubos e Conexões, largamente utilizadas nas instalações hidráulicas. Pois bem, a resina de PVC (base para a fabricação dos tubos e conexões) é constituída de petróleo (43%) e cloro (57%). Além de utilizar como matéria-prima o petróleo, que apresenta muitos riscos aos trabalhadores e ao meio ambiente, se os resíduos e efluentes gerados no processo produtivo não forem bem gerenciados a cadeia de impactos tende a se perpetuar.

Outro aluno apresentou o processo de fabricação de Telhas Ecológicas, tendo como matéria-prima PET e embalagens Tetra Pack. O PET, oriundo principalmente de embalagens de refrigerantes, é processado dando origem a telhas duráveis e flexíveis de várias cores, inclusive a translúcida, que pode facilmente substituir as telhas de vidro. Além disso o material também é utilizado para a produção de canos de esgotos: Está aí uma boa opção para substituir os tubos convencionais, fabricados a partir do petróleo. As telhas de Tetra Pack possuem durabilidade superior a 100 anos, além de ser flexível e possuir ótima acústica.

Outro processo de fabricação abordado foi o de fabricação do Gesso e do Drywall. O gesso é extraído de uma rocha mineral chamada gipsita. O Drywall é o gesso acartonado, ou seja, o gesso colocado entre duas camadas de cartão. Bom, se a matéria prima do cimento também é extraída de jazidas minerais, porque a utilização deste material seria mais correta? Uma das questões é a geração de entulhos na obra. As placas de Drywall são pré-fabricadas e é gerado pouco entulho. Além disso o gesso pode ser reciclado para a fabricação de adubos, por exemplo. Mas e a acústica do Drywall? A utilização de lã de vidro e lã de PET (sim, de PET!) entre as placas, demonstrou resultados superiores a alvenaria convencional (além de vantagens econômicas: construção 4 vezes mais rápida e menor utilização de mão de obra).

Um outro processo de fabricação foi o da Tinta latex. Na fabricação da tinta são utilizados muitos produtos químicos, mas este tipo de tinta, a latex, apresenta algumas características que a tornam menos poluente, mas também menos durável que a acrílica.

Pois bem, a apresentação do seminário ainda não acabou. Por hora estou muito satisfeita em ver e incentivar a nova geração de engenheiros civis que está vindo por aí, a serem profissionais mais conscientes e melhores para o mundo.

É notável como o conceito de Economia Circular vem ganhando força. O que em certos casos seria descartado, passa a ser matéria-prima para outro processo. Esse é o caso do PET, da embalagem Tetra Pack, e também do gesso: uma empresa aqui de Curitiba retira e transporta o entulho de gesso da obra - o qual é matéria prima para a fabricação de adubos, ou seja, através da reciclagem resíduos passam a ser rentabilizados.

Muitos empresários já tiveram essa "sacada", e a tendência é que isso aumente cada vez mais, tendo em vista a capacidade suporte do planeta em fornecer matérias-primas não renováveis. Um ótimo exemplo é a Startup criada pela paulistana Mayura Okura, bacharel em gestão ambiental, criadora da startup B2Blue, plataforma online que conecta empresas que querem vender seus resíduos a outras que estão interessadas em compra-los e usá-los como matéria-prima por um valor mais em conta. 

Luciana Müller é Engenheira Ambiental e Mestra em Engenharia Civil pela UTFPR.

Comunidade Empreendedora
Luciana Müller - Escola de Sustentabilidade
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Engenheira ambiental. Mestra em engenharia civil na área de saneamento. Professora de ensino superior. Global Shaper do Hub Curitiba (comunidade de jovens ligada ao The World Economic Forum). Ativista Social na Sociedade Global. Embaixadora Iris.

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