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Empreendedorismo no terceiro setor – com TrackMob

Empreendedorismo no terceiro setor – com TrackMob

Sobre mim:

Rodrigo Amazonas Sliwak - CPO, emprendedor desde 2013 que acredita que se queremos uma mudança no mundo, temos que fazer parte dela.

 

Quais as principais características do empreendedorismo no terceiro setor?

Bom, existem dois aspectos a serem citados.

O primeiro é que pessoas que trabalham no terceiro setor são genuinamente altruístas e abrem uma organização para ajudar ou defender uma causa. Atualmente são mais de 400 mil organizações das mais diversas causas e que movimentam 1,4% do PIB, que representou 28 bilhões em 2017 de acordo com dados do IBGE.

O trabalho destas organizações é fundamental para a construção de um mundo melhor, pois lutam por mudanças, mobilizam pessoas e contribuem ativamente para equilibrar os direitos atuando diretamente nas políticas públicas.

Apesar de existir um número grande de organizações que gera este impacto na economia, boa parte passa por dificuldades, sejam de recursos materiais, humanos e financeiros. E isso acontece pelo fato das pessoas empreenderem mais pela causa do que pelo próprio negócio, deixando de pensar na profissionalização e sustentabilidade da organização.

Já no segundo aspecto temos empresas que atendem este nicho oferecendo soluções a estes problemas, tanto contribuindo diretamente para a sua profissionalização, assim como oferecendo ferramentas para ajudá-las no processo de captação de recursos. Infelizmente esse perfil ainda é bastante escasso e geralmente caro, limitando o acesso a organizações de maior porte. Parte dessa escassez é devido a uma crença errônea do mercado que este setor não é capaz de dar lucro às empresas.

Em ambos os aspectos vemos pessoas comprometidas e com vontade genuína de mudar o mundo. Trabalhar com o terceiro setor oferece algo raro em outros setores: propósito.

Como a inovação e tecnologia afetam a área social?

A tecnologia é fundamental para que estes empreendedores consigam fazer mais, com menos. Assim como a inovação, pois com os recursos escassos é necessário oferecer novas soluções que realmente funcionem. Tudo isso precisa ter sinergia com suas ações, comunicação e difusão da sua causa, para que gere renda através da captação de recursos e com isto gerar condições para obter o impacto que deseja.

Este mercado é muito promissor. As pessoas estão começando a dar valor e até mesmo virando fãs de empresas que sejam alinhadas com um propósito social.

Quais os desafios de um negócio no terceiro setor?

O maior desafio está na sustentabilidade. A falta de recursos financeiros leva as organizações a atuarem de forma amadora e até mesmo na informalidade. Como dito anteriormente, muitas nascem com o foco mais na causa do que no negócio. Estas pessoas esquecem que, apesar da organização ser sem fins lucrativos, não pode ser sem fins de receita. Elas precisam entender que precisam gerar receita para investir na sua organização, profissionalizá-la e aí sim ir em direção à sua missão.

Uma organização precisa ter fontes de receitas e ser gerenciada como um negócio para crescer e alcançar seus objetivos. Esta falta de visão e preparação faz com que muitas delas fiquem dependentes de grandes fontes, como leis de incentivo e parcerias públicas, fazendo com que muitas delas fechem mediante as instabilidades políticas e econômicas.

Isso causa um efeito de “ovo e galinha”. A organização não tem dinheiro para investir em captação de recursos pois ela não capta recursos e o recurso que ela recebe é inteiramente destinado a um projeto. Além disso, a paixão dos seus fundadores faz com que eles sintam que investir em algo que não seja ligado diretamente a causa não é honesto, gerando este tabu.

O terceiro setor tem, muitas vezes, dificuldades em levantar fundos. Como o empreendedorismo social pode ajudar estas empresas?

Acredito que esse é um dos principais pontos.

A captação de recursos é principal fonte de renda das organizações. Elas possuem dificuldades em conseguir novos doadores pois não conseguem oferecer um acesso fácil à doação. Assim como perdem doadores porque não mantém um relacionamento ativos com os doadores.

Apesar de recente, a tecnologia está transformando esta realidade. O que antes nas grandes organizações era realizado por salas cheias de funcionárias, hoje qualquer organização pode resolver estes problemas utilizando a solução de um software.

Isso ajuda a democratizar a captação de recursos, tornando-se acessível para organizações menores. Além disso, contribui fortemente na sua profissionalização, fazendo com que os processos sejam mais rápidos, confiáveis e seguros. Reduzindo seus custos e aumentando seus resultados, consequentemente, gera-se mais impacto para a causa.

Trabalhar com o terceiro setor pode ser um negócio rentável?

Sim. Como é um setor bem carente, existem muitas oportunidades para empreender. Porém, é necessário oferecer soluções "prontas" devido a maturidade da maioria das organizações do setor. Também é importante não tratar isso como um tabu, ou seja, você não precisa ser uma empresa do terceiro setor para ajudar uma empresa do terceiro setor.

 

Quais as expectativas para o futuro do empreendedorismo social?

Mesmo com todos os percalços, o terceiro setor tem uma boa participação no PIB. Isso sem falar em realidades bem próximas de países da LATAM. Porém, proporcionalmente, estamos muito atrás de países desenvolvidos, como EUA. Mas aos poucos estamos mudando esta realidade, de acordo com o relatório World Giving Index da CAF.

Além disso, é visível que as gerações mais novas estão cada vez mais preocupadas com o coletivo e com o seu impacto no mundo. Em todo o Brasil os movimentos sociais estão cada vez mais fortes e, com isso, surgindo negócios alinhados a propósitos para atender estas demandas reprimidas.

Em termos de tecnologia, que é a nossa área, ainda temos um abismo entre empresas do segundo e terceiro setor que tem que ser mitigado. Acredito que o futuro trará a profissionalização desse setor, transparência com os doadores e um aumento grande no impacto das causas destas 400 mil organizações.

Há muito espaço para ajudarmos estas organizações de diversas formas e mudarmos o mundo com as nossas mãos, só basta querer.

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