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Metais preciosos no lixo

Metais preciosos no lixo

Você sabia que, de acordo com cálculos da ONU, o mercado global de resíduos eletrônicos, desde a coleta até a reciclagem, movimenta em torno de US$ 400 bilhões por ano?

Pois é! E esse número tem o potencial para ser muito maior! Mas na prática o que ocorre é que vários problemas culturais, como a não separação do lixo, acabam fazendo com que os materiais que poderiam ser reciclados sejam enterrados, quando não dispostos no ambiente de maneira inadequada, causando a poluição do solo e da água, chegando a interferir no ciclo de vida de diversas espécies.

Através de uma experiência pessoal, quando estagiei em um projeto de conservação de tartarugas marinhas, tive a oportunidade de conhecer os hábitos alimentares de algumas espécies: a tartaruga-verde, mais comumente encontrada no Brasil, se alimenta de algas, dentre elas a alface-do-mar. São seres extremamente visuais, e a aparência desta alga é muito semelhante a do plástico. Não é à toa que o maior número de espécimes encontrados mortos possuiam plástico no trato intestinal. Recentemente, vinte e nove baleias jubarte foram encontradas mortas com plástico no estômago, em praias da Alemanha.

Dentre os materiais que são utilizados nos equipamentos eletroeletrônicos, para além do plástico, e com maior valor agregado estão metais preciosos como o ouro, a prata, o paládio, além de cobre e alumínio. Ou seja, configura como um mercado altamente rentável do ponto de vista econômico.

Pesquisas científicas apontam que os metais necessários para construir os smartphones e outros produtos tecnológicos não contam com componentes alternativos eficientes caso eles se tornem escassos no planeta. Desta forma a única alternativa seria reciclar.

Segundo artigo da revista Istoé, cálculos do governo estimam que a reciclagem do lixo eletrônico tem potencial para gerar dez mil empregos e injetar R$ 700 milhões na economia brasileira.

É notável como o conceito de Economia Circular vem ganhando força. O que em certos casos seria apenas descartado como resíduo (seguindo o caminho convencional em uma economia linear) passa a ser matéria-prima para outro processo. Na construção civil é possível citar como exemplo o caso de embalagens de PET, que vem sendo empregado para a fabricação de telhas ecológicas: o PET - oriundo principalmente de embalagens de refrigerantes, é processado dando origem a telhas duráveis e flexíveis de várias cores, inclusive a translúcida, que pode facilmente substituir as telhas de vidro. 

Muitos empresários já tiveram essa "sacada", e a tendência é que isso aumente cada vez mais, tendo em vista a capacidade suporte do planeta em fornecer matérias-primas não renováveis. Um ótimo exemplo é a Startup milionária criada pela paulistana Mayura Okura, bacharel em gestão ambiental, criadora da startup B2Blue, plataforma online que conecta empresas que querem vender seus resíduos a outras que estão interessadas em compra-los e usá-los como matéria-prima por um valor mais em conta. 

Os principais desafios do mercado da reciclagem estão na separação adequada dos resíduos, e em se tratando de e-lixo, de uma capacitação profissional adequada. Outro ponto fundamental diz respeito à conexão entre os diferentes atores que compõe a cadeia de reciclagem e o ciclo de vida dos produtos. A Engenharia de Conexões é fundamental em todo este processo: conexão entre geradores de resíduos, cooperativas de reciclagem e empresas que utilizam estes resíduos como matéria-prima. 

Este artigo foi publicado originalmente no Blog TechLadies Brasil, com o título: Economia circular e e-lixo.

A rede Tech Ladies também se preocupa com a sustentabilidade do planeta. Precisamos de profissionais, homens e mulheres, que analisem os processos como um todo: a luta social é pela igualdade de gênero, mas também por um planeta saudável e com condições dignas para todos e todas.  E em se tratando de e-lixo, há grande necessidade do desenvolvimento de soluções tecnológicas, que configuram grandes oportunidades de negócios.

Comunidade Empreendedora
Luciana Müller - Escola de Sustentabilidade
Luciana Müller - Escola de Sustentabilidade Seguir

Engenheira ambiental. Mestra em engenharia civil na área de saneamento. Professora de ensino superior. Global Shaper do Hub Curitiba (comunidade de jovens ligada ao The World Economic Forum). Ativista Social na Sociedade Global. Embaixadora Iris.

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