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Sustentabilidade X Competitividade - CONSIDERAÇÕES SOBRE EFICIÊNCIA E AUDITORIA ENERGÉTICA

Sustentabilidade X Competitividade - CONSIDERAÇÕES SOBRE EFICIÊNCIA E AUDITORIA ENERGÉTICA
"NÃO EXISTE AÇÃO SENSATA PARA O USO RACIONAL DE ENERGIA QUE NÃO TENHA ECONOMICIDADE".

A substituição de energia por conhecimento e informação, de modo a reduzir os desperdícios e melhorar o desempenho dos sistemas energéticos, é cada vez mais relevante.

Isso, devido a questões energéticas, como a crescente limitação da oferta de energia a baixos preços, ou a questões de caráter ambiental, porque associado inevitavelmente às perdas e desperdícios de energia, existem impactos ambientais, como poluição atmosférica e dos recursos hídricos.

No presente cenário da oferta de energia, restrições de ordem financeira e ambiental se conjugam de modo a incrementar os custos energéticos e configuram perspectivas preocupantes de descompasso entre as disponibilidades e as demandas energéticas, ampliando significativamente a importância do uso racional de energia.

Trata-se de uma via relativamente ainda pouco explorada e com interessantes possibilidades.

Muitas empresas vem adotando estrategicamente o uso racional de água e energia para se tornarem mais competitivas no mercado, devido a diminuição dos custos de produção.

A auditoria energética é, efetivamente, o primeiro e essencial passo nesta direção.

O que é auditoria energética?

É a análise sistemática dos fluxos de energia em um sistema particular, visando discriminar as perdas e orientar um programa de uso racional de insumos energéticos. Constituem um instrumento essencial de diagnóstico preliminar básico para obter as informações requeridas para a formulação e acompanhamento do programa de redução de desperdícios de energia. O principal objetivo da auditoria energética é racionalizar o uso da energia no ambiente empresarial.

As principais dificuldades das auditorias energéticas no Brasil são de ordem cultural e não tecnológica. A maioria das empresas não faz um acompanhamento sistemático de seu consumo energético porque isto é considerado irrelevante, porque não possui pessoal capacitado ou porque sua administração não alcança a dimensão desta problemática e nem sabe como resolvê-la.

Outra questão é a postura defensiva dos empresários quando o assunto é eficiência energética ou conservação de energia, que surge de uma auto-estima ou de um zelo exagerado pela imagem da empresa e pela ausência de autocrítica, pois por mais modernas que sejam as tecnologias SEMPRE É POSSÍVEL GASTAR MENOS.

Outro argumento equivocado é relacionado ao seu custo, muito elevado e de retorno difícil. De fato é preciso ir além da auditoria e seguir as prescrições, sempre pautadas em indicadores econômicos. Não se recomendam projetos com prazos de retorno superiores a 24 meses, existem diversas possibilidades de ação com elevada rentabilidade em curtos intervalos de tempos como semanas.

Passar a usar bem a energia é um investimento rentável, de baixo risco, que vem estimulando parcerias entre empresas e consultorias especializadas em conservação de energia, as chamadas ESCOs (Empresas de Serviços de Conservação de Energia).

Outra falácia tem a ver com os presumidos nexos entre consumo energético e qualidade do produto ou consumo energético e produtividade. A redução da demanda de energia não afeta o volume de produção e a qualidade do produto. Economizar energia é inteligente.

As etapas de um programa de uso racional de energia são: Identificar > Quantificar > Modificar > Acompanhar. As etapas Identificar/Quantificar englobam a auditoria energética. Estas etapas são válidas tanto para instalações novas, em caráter preventivo, quanto para instalações já existentes, em caráter corretivo.

Perguntas a serem respondidas: Quanta energia está sendo consumida? Quem está consumindo energia? Como se está consumindo energia, com qual eficiência?

Atividades para efetuar uma auditoria energética (Nogueira, 1990):

1 – Levantamento de dados gerais da empresa

2 – Estudo dos fluxos de materiais e produtos

3 – Caracterização do consumo energético

4 – Avaliação das perdas de energia

5 – Desenvolvimento dos estudos técnicos e econômicos das alternativas de redução das perdas

6 – Elaboração das recomendações e conclusões

Os principais desafios em auditoria energética são: esclarecer, difundir e provocar atividades pioneiras e reproduzíveis em auditagem energética. O sucesso de iniciativas bem conduzidas leva outros a trilharem os mesmos caminhos.

Para tanto, são necessários alguns cuidados como: se atentar ao realismo no reconhecimento dos limites a atingir e especial cuidado no estabelecimento de metas compatíveis com a disponibilidade de recursos materiais e humanos. Humildade para reconhecer que promover a eficiência energética é um processo, uma postura sujeita a recaídas e nunca uma conversão milagrosa ou uma rápida vitória. Essa luta apenas se inicia com a auditoria energética, mas o início é metade da façanha!

Estas informações foram retiradas do livro Conservação de Energia - eficiência energética de equipamentos e instalações, divulgado no site da Procel.

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Comunidade Empreendedora
Luciana Müller - Escola de Sustentabilidade
Luciana Müller - Escola de Sustentabilidade Seguir

Engenheira ambiental. Mestra em engenharia civil na área de saneamento. Professora de ensino superior. Global Shaper do Hub Curitiba (comunidade de jovens ligada ao The World Economic Forum). Ativista Social na Sociedade Global. Embaixadora Iris.

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